Quem somos nós para dizer que hoje é dia do índio?

“Art. 231 São reconhecidos aos índios sua organização social, seus costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, correspondendo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”

Hoje, dia 19 de abril, é comemorado no Brasil o “Dia do índio”. E daqui exatamente três dias (22 de abril) será o dia de comemorar o “Descobrimento do Brasil”. O que estamos esquecendo quando naturalizamos dessas datas e os conteúdos históricos que elas remetem? Muitas coisas!

Por que ainda nos referimos à chegada dos portugueses ao território que hoje é chamado de Brasil de “descobrimento”? O que de fato eles descobriram? Será que as terras estavam cobertas? Será que não haviam pessoas aqui? A resposta para a última pergunta é óbvia, haviam sim pessoas que já habitavam este território, grupos de seres humanos que foram pejorativamente chamados de índios por viajantes europeus, como Cristóvão Colombo. Colombo quando chegou à América pensou ter chegado nas Índias, então, logo as pessoas que estavam naquele território seriam “índios”, certo? Errado, porém o termo ganhou fama. Atualmente é preferível chamá-los de populações indígenas ou grupos indígenas, pois dessa forma evitamos generalizações, até porque entre os indígenas existem diversas culturas, costumes e línguas muito distintas, e existem até mesmo rivalidades.

Depois de 518 anos da chegada dos portugueses ao Brasil podemos observar alguns saldos não muito positivos, mas aqui destacamos apenas um: para os indígenas só restou o dia 19 de abril.

Ensinar as crianças desde muito pequenas na escola a se “vestir de índio” está correto? Não, índio não é fantasia. Já que essa data existe, podemos ensinar nossas crianças a respeitar esses povos originários, contar um pouco das suas histórias e culturas. Podemos comentar também que não é porque nossa cultura é diferente da deles que ela é melhor ou superior, aliás, é bom lembrar que muito da nossa cultura capitalista e consumista foi imposta para esses grupos, por isso hoje podemos ver indígenas nos shoppings, andando de carro, entre outras coisas, e isso não pode ser visto como estranho ou anormal. Essas pessoas podem sim ter esses costumes e continuam sendo indígenas, muitas vezes elas fazem isso pela sua própria sobrevivência, assim como nós.

Os grupos indígenas foram historicamente marginalizados, assim como outros grupos de seres humanos, como a população negra, as mulheres, os gays, as lésbicas, transexuais, entre tantos (as) outros (as). A exploração dos povos indígenas e a tentativa de aniquilação de suas culturas começou lá no ano de 1500, nesse dia 22 de abril, que marca o início de um processo muito mais amplo de arbitrariedades e injustiças. Ao longo de toda história do nosso país demandas vitais para esses grupos não foram atendidas, como é a questão da luta pela terra e pela moradia, que até hoje continua sendo sinônimo de descaso e menosprezo por parte das autoridades. Mesmo que exista na Constituição brasileira de 1988 uma parte destinada aos direitos dos povos indígenas, isso nunca foi devidamente respeitado, e ainda, ainda se assinam leis e PECS (Propostas de Emenda à Constituição) para justificar covardias para com esses povos.

São muitos anos de descaso e covardia cometidos contra quem habitava essa região antes de nós, não? Então converse com pessoas próximas (familiares, amigos, alunos, professores) sobre o significado desse dia 19 de abril e tenha sempre em vista que os indígenas merecem, acima de tudo, respeito, e que sua luta e sua resistência são dignas e muito necessárias.

 

Quer saber mais? Então dá uma olhadinha neste vídeo! 

 

 

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