50 anos da morte de Martin Luther King Jr.

 

“Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. ”

 

Martin Luther King Jr., nascido em 15 de janeiro de 1929, foi um dos maiores ativistas por direitos civis negros de todos os tempos. Ele pregava (literalmente, já que também era um pastor) ideias de não-violência e de amor ao próximo. Seus pais e avós eram pastores da igreja Batista e ele decidiu seguir o mesmo caminho, estudando Teologia e depois fazendo Doutorado em Filosofia. Inicialmente, ele era apenas um pastor em Alabama, estado onde as maiores revoltas e conflitos com motivações raciais aconteciam, mas foi após a prisão de Rosa Parks que sua luta começou.

Algo que a gente precisa lembrar, antes de se aprofundar na história do Martin, é do clima que os Estados Unidos, principalmente os estados do Sul, viviam. Lá, a segregação racial era prevista por lei. Ou seja, os negros não tinham os mesmos direitos que os brancos. Os assentos nos ônibus eram diferentes, e caso um branco não tivesse onde sentar um negro deveria ceder o lugar; negros não tinham direito ao voto; e até as escolas eram diferentes. Existia uma ideia de “separados, mas iguais”.

A partir daí, surgiu um movimento de luta contra a segregação, liderado por Martin Luther, que durou aproximadamente 380 dias. E o movimento obteve sucesso, com a Suprema Corte Americana declarando que todas as leis segregacionais eram inconstitucionais.

Logo depois, ele criou a Conferência da Liderança Cristã do Sul e começou a organizar atos e passeatas em nome do direito do povo negro, sempre seguindo sua ideia de não-violência, baseado nas ideias de Mahatma Gandhi.

King é mais conhecido pelo discurso que fez em 28 de agosto de 1963, na Marcha em Washington por Emprego e Liberdade, no qual a frase que inicia este texto foi proferida. Nesse discurso, feito para as 250 mil pessoas que estavam lá, ele prega igualdade na sociedade, sonhando com um mundo em que todas as pessoas sejam tratadas da mesma forma. “I Have a Dream” ficou marcado como um dos maiores discursos da história americana.

Em 1964, a Lei dos Direitos Civis foi criada, garantindo por lei a igualdade racial entre brancos e negros e por ter sido muito importante nesse processo, Martin Luther King ganhou o Nobel da Paz neste ano. No ano seguinte, ele fez parte do grupo que organizou as marchas de Selma para Montgomery, evento que buscava garantir o direito ao voto da população negra e que podemos ver no filme Selma, lançado em 2014.

Em 4 de abril de 1968, ele estava na cidade de Memphis para organizar uma manifestação em prol dos funcionários negros da empresa de lixo, que não recebiam salários em dias de chuva, quando a coleta não era feita, mas os brancos recebiam normalmente. E lá, na sacada de um hotel, ele foi atingido por um tiro, vítima do racismo e do ódio racial que tanto tentava combater. Após seu assassinato, as ruas dos Estados Unidos foram tomadas por pessoas revoltadas, querendo justiça pela morte de mais um dos expoentes negros – Malcolm X havia sido assassinado três anos antes. Nesses protestos, 43 pessoas morreram, 3500 ficaram feridas e dezenas de milhares foram presas. Mas o ódio ainda persiste, ainda perdura, matando negros e negras diariamente, na maioria das vezes, sem nenhum motivo – inúmeros são os casos em que a polícia confunde um telefone celular com uma arma e atira repetidas vezes por causa dessa dúvida.

Um dia antes de sua morte, Martin Luther discursou: “Eu vi a terra prometida. Talvez não chegue lá com vocês, mas quero que vocês saibam que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida.” Cinquenta anos se passaram e a terra prometida ainda é algo distante, mas o sonho dele ainda permanece vivo.

 

 

 

 

 

 

 

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