Recuo excessivo das águas e sua relação com a astronomia

recuo das águas

No sábado do dia 12 de agosto, moradores de várias regiões costeiras brasileiras (e também do Uruguai) depararam-se com um fenômeno não usual nas águas do mar.

Como bem reportado pelo site de notícias G1 o nível das águas apresentou-se consideravelmente mais baixo que o normal, fazendo com que, em alguns lugares, o mar recuasse em mais de 50 m a partir da orla. Conhecido como predecessor de tsunamis, o fato gerou muita preocupação e especulação.

Mas não há motivos para se preocupar! De acordo com meteorologistas, o fenômeno observado no último final de semana pode ser explicado por meio da combinação de um anticiclone e do que chamamos de força de maré. E, para uma explicação mais precisa, conhecimentos da astronomia e da física são necessários – gerando uma ótima oportunidade para aprendermos um pouquinho mais sobre a natureza. 

MARÉS

Marés são observadas diariamente por moradores de regiões litorâneas e, sabidamente, geram variações drásticas no nível das águas marinhas. Portanto não é o recuo da orla a novidade presente no acontecimento em questão, mas sim a intensidade do mesmo: desta vez o recuo foi tão intenso que não passou despercebido nem para as pessoas mais familiarizadas ao litoral. E é por isso que a presença do anticiclone já citado e seus ventos intensos é crucial.

As forças de maré são causadas pela interação gravitacional entre a nossa estrela preferida ~~o Sol~~ e a Terra e, principalmente, pela interação gravitacional entre a Lua e a Terra.

Aqui é muito importante citar que o diâmetro do nosso planeta em relação à distância ao astro atrator deve ser apreciável, pois dessa forma existe uma diferença entre a força gravitacional experimentada por um lado do planeta e pelo lado diametralmente oposto, sendo esta mais intensa no lado mais próximo ao atrator.

É justamente essa diferença de intensidade que provoca os efeitos de maré. E é também por esse motivo que, embora a lua possa gerar efeitos tão dramáticos sobre todo o oceano, ela não pode gerar nenhum efeito semelhante sobre uma pessoa.

Agora, os efeitos solares sobre as marés, embora importantes, são duas vezes menores que aqueles gerados pela lua justamente porque a distância entre nós e o sol é muito maior.

recuo das águas

 

terra-sol (1)

Ainda assim, durante a lua cheia e a lua nova, o alinhamento entre Lua, Terra e Sol combina os efeitos de ambos os astros para fazer com que a maré seja a mais intensa possível. É por esse motivo que no último dia 12 a maré foi a mais intensa possível, como ilustrado na figura a seguir.
mares01 (1)

 

ANTICICLONE

Um anticiclone, antes de mais nada, significa “ventos fortes” e, como dito acima, esse fator foi decisivo para o drástico recuo das águas observado. Agora, como um anticiclone se forma?

Um anticiclone depende da presença de uma região de alta pressão atmosférica. As consequências dessa diferença de pressão envolvem o deslocamento do ar para fora dessas áreas. Mas não chegamos lá ainda, precisamos também considerar o efeito Coriolis sobre as correntes de ar geradas pela zona de alta pressão.

O efeito Coriolis, relacionado à rotação da Terra, é ilustrado nesse Drops aqui embaixo: 

 

Enquanto o ar é empurrado para fora da zona de alta pressão, ele é colocado em rotação por conta do efeito Coriolis, de forma a girar em torno do ponto de origem. O sentido da rotação é anti horário no hemisfério sul e horário no hemisfério norte. O nome do fenômeno é relacionado ao fato de ser gerado por um mecanismo oposto àquele que gera um ciclone, o qual é criado quando uma zona de baixa pressão faz com que o ar seja deslocado em direção a essa região e colocado em rotação, mais uma vez, pelo efeito Coriolis.

Por fim,  os efeitos gerados pelo anticiclone e pela maré baixa, combinados, podem explicar o acontecimento do último dia 12. 

É isso!

Até a próxima!

Blog-pro-rafael-exatas [Recuperado]

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